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Aplicativo auxilia servidor do judiciário catarinense a parar de fumar e a salvar a própria vida
Saúde - 03/06/2020 - 10h53min

"Aquele que não fumasse não conseguia namorada". Quem passou a juventude nos anos 1960 sabe bem a pressão social que o cigarro exercia. O técnico judiciário auxiliar do cartório da 3ª Vara Cível da comarca de Chapecó, Ati Pires de Souza Pires, conta que iniciou o vício aos 14 anos de idade. "Os pais não aprovavam, mas fumávamos escondidos", divide. Ele divide sua experiência trágica, que nos leva a uma reflexão em virtude do Dia Mundial de Combate ao Fumo, celebrado ontem (31/5).

E desde aquele "modismo" da época, lá se foram 52 anos dedicados ao cigarro. Depois de quatro tentativas de largar o tabaco, foi um problema de saúde que o fez se comprometer. A falta de ar já era uma constante. Sempre de moto, foi numa saída para comprar cigarros que sentiu uma forte dor no peito. Em consulta médica, foi diagnosticado com pneumonia. Mesmo com tratamento, a dor não passou. "Na avaliação de outro profissional, descobrimos a doença pneumotórax. O pulmão estava 'furado' e debruçado sobre outros órgãos. A cirurgia foi inevitável. Foi necessário retirar metade do pulmão direito", lembra. Mesmo assim, não largou o vício.

A segunda esposa, Jussara, não gosta de cigarros. O médico alertou para o enfisema no pulmão esquerdo, doença que reduz a elasticidade do pulmão e acaba com os alvéolos que filtram o ar, o que levaria Pires à morte em pouco tempo com a continuidade do dano ao órgão. Foi então que ele procurou um posto de saúde e pediu ajuda. Entrou na lista para o grupo de antitabagismo. Com as visitas frequentes da agente de saúde, veio a notícia de uma vaga. A partir de então teve assistência médica, odontológica, psicólogica e medicamentosa. Uma data foi combinada entre os participantes como a derradeira para o vício: 18 de outubro de 2018. "Fumei o último cigarro na noite do dia 17. A cada vontade que sentia, ouvia música, buscava uma lembrança melhor como uma viagem ou um acampamento. Enganava meu cérebro e dava certo. O pensamento foi minha melhor estratégia", conta.

Tecnologia
Outra ferramenta que ajudou bastante foi um aplicativo de celular encontrado gratuitamente na internet. As notificações constantes lembravam quanto economizava dia após dia. Sem o gasto diário de R$ 20 em cigarros, Pires economizou R$ 6.800 por ano. Desde que parou de fumar, a soma passa de R$ 15 mil. "Daria uma baita viagem", avalia. "É motivador receber as análises, não só pelo dinheiro, mas pelos dias a mais de vida que consegui, o progresso que o pulmão atinge dia a dia e o tempo que estou sem tabaco. Incentiva a manter a força de vontade e o comprometimento com a meta", reforça.

Hoje, à beira dos 70 anos de idade, depende de medicamento e "bombinha" para conseguir respirar. Tem consciência de que as dores pelo corpo ao subir uma escadaria são decorrentes dos problemas pulmonares causados pelo cigarro. Já poderia estar aposentado de suas funções no Poder Judiciário há três anos, mas não conseguiu se desprender da atividade. "Não consigo expressar em palavras o quanto gosto do meu trabalho, dos meus colegas, dos advogados que atendo, do juiz titular da minha unidade. Não consigo me ver sem eles, mas sinto que minhas forças começaram a diminuir. Por isso, no retorno pós-pandemia, pretendo solicitar minha aposentadoria", confessa.

A idade e os problemas pulmonares colocam Pires no grupo de alto risco para contaminação da Covid-19. O uso de máscara, que era um hábito necessário, agora também tem o objetivo de prevenir a nova doença. Desde o dia 10 de março, Pires não vê as três netas, Maria Isabel, Ana e "Malu", pelas quais se diz apaixonado, todas herdeiras do filho mais velho, Diomar. Do primeiro casamento, Pires tem ainda o filho mais novo, Athos. "A chance de eu ter câncer, em decorrência do grande tempo que expus meu corpo ao cigarro, é bastante grande. Não é possível dizer se vai acontecer ou não. Hoje, com o tratamento à base de remédios, não tenho saúde como teria sem tabaco, mas vivo com qualidade e com esperança de viver ainda por bons anos", conclui.

TJSC/Assessoria de Imprensa/NCI. 





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