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CINEMA

02/10/2009
INTRIGAS DE ESTADO

O novo filme de Kevin Macdonald possui todos os ingredientes de um bom entretenimento. Merece primeiramente um olhar respeitoso, pois é o segundo trabalho deste exímio documentarista responsável por O Último Rei da Escócia.

Como força motriz, ele tem a mesma tensão de Todos Os Homens do Presidente. O roteiro de Matthew Michael Carnahan, Tony Gilroy e Billy Ray, adaptado de uma minissérie de 2003 da BBC, dispara ótimas críticas ao jornalismo, a indústria de fofocas e a rapidez de falsas informações via internet.

A história abre com três mortes aparentemente comuns e cruza os defuntos com dois assuntos tão atraentes quanto delicados: política e imprensa. Tudo se desenlaça de maneira enxuta: a fome da imprensa por uma capa bombástica nos jornais, a pressão de uma companhia de segurança ambiciosa, um congressista querido com a cara suja e um jornalista ambivalente, perdido entre a amizade fiel ao principal suspeito e o profissionalismo diante da melhor matéria de sua vida.

A coisa aperta, conversa vai e conversa vem. O congressista quer limpar a cara, a imprensa quer o furo, a polícia apenas a verdade e a companhia de segurança pretende matar todo o elenco. Alguns dos maiores mistérios do filme estão em Watergate, provando que os americanos não esquecem certas dores.

O elenco de apoio não deixa barato. Helen Mirren inocentemente consegue rebaixar todo o elenco sempre que aparece. Rachel McAdams ganha pela beleza e pelo esforço dramático. Robin Wright Penn esbanja sua beleza glacial de mulher sofrida que curiosamente tenta ajudar o marido flertando com o melhor amigo dele. Jason Bateman é o cara sinistro de poucas palavras e atos macabros. Jeff Daniels continua sendo Jeff Daniels. Viola Davis foi desperdiçada de propósito numa ponta insignificante.

Mas (e esse é de quebrar a espinha) os dois protagonistas, as figuras principais do picadeiro, depõem grosseiramente contra o filme. Russel Crowe, a mala-mor do cinema atual, é o herói.

Crowe não convence como um jornalista legal e descolado. Aliás, não convence nem em papel de tijolo. Alguém achou que seus grunhidos no Coliseu eram um sinal de talento. O personagem foi recusado por Brad Pitt e Johny Depp. Deus nos livre, Tom Hanks e Nicolas Cage também recusaram. Chato e viperino como só uma pseudo-estrela poderia ser, Crowe bateu o pé em favor de seu amigo Ridley Scott , mas o estúdio deu a mínima para sua querela.

Kevin Macdonald aceitou a tarefa com orgulho depois das recusas de Edward Zwick, Martin Campbell, Richard Linklater, Ang Lee, Jim Jarmusch e pasmem, Brian De Palma. O que criaturas tão cool quanto Linklater e Jarmusch fariam com o filme é motivo de reflexão engraçada, diga-se de passagem.

Ben Affleck é o coitado da história, o congressista apavorado. Affleck teve a mesma sorte de Crowe e foi considerado talentoso por alguém. Mas ele é chato e Jennifer Lopez deu certeza. Cada vez que ele tenta encontrar o tom de voz certo para seus diálogos chorosos em cena, é de rachar o riso.

A trama é forte e moderna, porém Crowe e Affleck tornam o filme engulhento e difícil, criando um desafio á mais para se esperar pelo final surpreendente: resistir a canastrice dos dois.
 

Contato com o colunista: vini_unesc@hotmail.com


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