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| Colunistas > Sheila Nogueira > Comer comer (nem sempre), é o melhor para poder crescer |
Comportamento
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| 24/07/2006 |
| Comer comer (nem sempre), é o melhor para poder crescer |
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Artigo Para quem está acompanhando a nova novela das oito horas, da rede Globo, já deve ter percebido a problemática que envolve uma das famílias, especificamente aquela em que a mãe (a atriz Débora Evilin) faz de tudo para que sua filha torne-se bailarina. O autor está destacando um tema até então não abordado em programas de TV, a bulimia infantil. Algumas pessoas devem se lembrar de uns desses programas BBBs, onde uma participante padecia desta complicação. Mas agora, por tratar-se de uma criança de apenas 10 anos de idade, é provável que o assunto ganhe cada vez mais repercussão.
A complicação psicológica BULIMIA tem por característica a ingestão (na maioria das vezes exagerada de alimentos) e depois a indução ao vômito e/ou uso indiscriminado de laxantes.
Vocês devem estar pensando: “que coisa horrível viver desta forma, será que tem solução?” É justamente sobre isso que trataremos agora. É muito comum ocorrer, tanto entre pessoas leigas na área da saúde, mas também entre muitos profissionais que deveriam estar capacitados, o “enquadramento” das pessoas que possuem complicações psicológicas em “caixinhas”: a fulana é bulímica, é isso, ou aquilo. O exemplo da novela nos será de grande utilidade para pensarmos que a bulimia é um sintoma de outras complicações existentes na vida da pessoa que apresenta tal sintoma, neste caso, a menina. Vamos nos utilizar somente dos poucos elementos que o autor já nos forneceu, para não cairmos em interpretação e especulação.
Vocês já perceberam o movimento da mãe naquela família? Uma pressão fora do normal para que a filha torne-se bailarina, algo que ela própria não conseguiu. É claro que o autor está esterotipando, exagerando nas atitudes da mãe, mas de qualquer forma fica claro que a mãe é forte função na complicação da filha. Vocês leitores ainda podem estar pensando: “porque essa menina simplesmente não diz que não quer ser bailarina e pronto?” Mas aí temos que nos valer mais uma vez do que a Psicologia nos oferece. A menina está em formação da sua personalidade (assunto a ser aprofundado em outra reportagem), não tendo condição de fazer escolhas com clareza de suas conseqüências.
E referente ao pai, vocês já observaram seu movimento na família? Ele dá doces, batata frita, hamburguês, etc as escondidas a filha, mostrando-lhe, através de atitudes, que aquilo deva se fazer escondido mesmo. Ele percebe parcialmente o sofrimento da filha, mas não consegue se posicionar diante da esposa. Só que com isso a menina fica em um “cabo de guerra” que, mesmo quando come algo e ninguém vê, ela sabe que está fazendo algo “errado” e então não suporta, tendo que provocar o vômito.
Agora eu pergunto a vocês: esta indução ao vômito pode ser tratada de forma isolada? Estas poucas ações do pai e da mãe em relação à filha não demonstram o quão prejudicada está a relação? Fica nítido também que a mãe possui sérios problemas psicológicos e que também deveriam ser tratados.
É claro que este problema jamais poderia ser esgotado em apenas uma reportagem, mas o objetivo é de mostrar que uma complicação psicológica não ocorre de forma isolada no mundo, há sempre ocorrências concretas em suas bases (neste exemplo há a mãe proibindo de comer tais coisas, colando fotos de bailarina magérrima na parede do quarto da filha, o pai dando comida escondido a filha, etc), variando em cada caso
É importante também destacar que estas ocorrências concretas estão sendo salientadas na novela pelo autor, já que na maioria das vezes os problemas são abordados de forma equivocada, onde o fulano tem o problema, mas tem uma família perfeita, amigos perfeitos, condições perfeitas de sobrevivência, etc, etc, etc e então ninguém entende de onde ele vem, é o fulano que “tem problema mesmo.”
Fale com a colunista: shefernanda1@yahoo.com.br
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